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Sobre crianças, liderança e futuro

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Em nosso último encontro, “O líder do nosso tempo”, uma pergunta, aparentemente aleatória ao tema (só que não) deu o ar de sua graça. Ela era mais ou menos assim: 

Como educar as crianças para o futuro? Eles serão a nova liderança! 

Essa pergunta ficou ecoando muito na minha cabeça. Não sei se pelo fato de, há mais ou menos uns 2 anos, ter embarcado em uma jornada de autoconhecimento bastante intensa, onde conheci minha criança interior, ou se porque sou mãe de uma menina de 10 anos que está no ápice da efervescência criativa — ou ainda por conhecer adultos, antes crianças brilhantes, hoje frustrados com seus trabalhos. 

Quais são as habilidades imprescindíveis para a liderança?

O fato é que muita gente tem falado por aí, das diversas habilidades essenciais para a liderança do agora do futuro. Nós mesmos acreditamos em quatro: futurista, inovador, humanitário e tecnólogo — citadas pela Lisa Kay Solomon da Singularity University. 

Já um outro nome Peter Diamandis, também da Singularity, fala de 10 habilidades: 

  • visão;
  • impacto;
  • influência;
  • conexão com as novas tecnologias e tendências;
  • agilidade;
  • desafio ao status quo;
  • catalizador ou potencializador;
  • inspiração;
  • paixão;
  • compartilhador de vitórias e conquistas.

Cá entre nós, se agruparmos em categorias, são facilmente organizados mesmos skills trazidos por Lisa. 

Claro que, como seres que aprendem ao longo da vida, estamos totalmente aptos para aprender todas essas e muitas outras habilidades. Com treino, dedicação e doses extras de paciência e empatia conosco, é superpossível.  

Mas devo ser honesta e contar que essa não é uma jornada simples, pois exige a quebra de muitos paradigmas e o abandonar de diversos “vícios” ou crenças que fomos acumulando ao longo de nossas vidas. 

Ou seja, dá um tiquinho mais de trabalho, porque com o tempo nos tornamos seres cheios de questões, que precisam ser clarificadas para que o processo de mudança e aprendizado aconteça, de fato, na prática. 

E a criança: onde entra nesse contexto?

Até aqui, pode até parecer um papo sem conexão com a pergunta sobre as crianças, mas você vai ver que não é! 

Você já pensou como seria se soubesse, ainda criança, a falta danada que faz a empatia quando nos tornamos adultos? Ou como é difícil soltar imaginação em um processo criativo para descobrir a solução de um problema? Ou como compartilhar é a melhor forma de multiplicar? 

Essas são apenas alguns dos desafios que ninguém nos contou que precisaríamos enfrentar depois de crescidos, não é mesmo? Mas eu tenho uma boa notícia! 

Faz um exercício comigo. Você já foi criança, certo? 

  • Alguma vez imaginou histórias de como seria seu futuro ou o do planeta? 
  • Teve contato com as melhores “tecnologias” disponíveis para sua diversão, fossem elas videogames, jogos de tabuleiro ou uma simples bola ou boneca? 
  • Interagiu com outras crianças, com quem brigava, mas logo voltava às boas?
  • Definiam juntos as brincadeiras, regras, quem faz o que e saber ceder e mudar o jogo, assim, no meio da partida? 
  • Inventou com a turma (ou até sozinho) um jeito diferente de fazer algo?  

Talvez você não se lembre de situações como essas, mas nada como os laboratórios da vida real para dar aquela clareada na visão. 

Assista ao programa de TV “Fazendo a Festa”, onde crianças soltam a imaginação indicando o briefing do que esperam em seu aniversário. Devo contar que, em absolutamente todos os episódios, eles pedem uma brincadeira chamada “pique”, nome carioca para o “pega-pega” de São Paulo.

Confesso nunca ter sequer pensado que tivessem tantas formas de brincar da mesma coisa. Hora com chapéu, hora com bandeira, hora com colar e por aí vai. 

Por que essa diversidade acontece?

É simples! Porque toda criança começa sua jornada com um potencial incrível, uma mentalidade criativa que aborda o mundo com curiosidade, perguntas e com o desejo de aprender sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre si mesma por meio da brincadeira.

Além disso, crianças são naturalmente empáticas, colaborativas e honestas. Líderes natos, negociam, vendem ideias, confiam, se jogam, não têm medo do julgamento, brigam e divergem — mas sempre acabam convergindo. 

Onde eu quero chegar com tudo isso? Ora, na simples reflexão de que, assim como as crianças de agora, nós também nascemos com todas essas habilidades hoje trazidas com nomes “diferentões” por vários estudiosos, como “itens de fábrica”. 

O que acontece é que aos poucos, as regras que a vida nos impõe, sejam elas familiares, escolares, sociais e afins, vão nos fazendo esquecer essa essência e, como num círculo vicioso, acabamos fazendo o mesmo com nossas crianças. 

Como perceber isso na prática?

O Teste de Torrance do Pensamento Criativo é frequentemente citado como exemplo sobre como o pensamento divergente das crianças diminui com o tempo. Nele, foi comprovado que 98% das crianças no jardim de infância são “gênios criativos” que podem pensar em inúmeras oportunidades sobre como usar um clipe de papel.

Porém, à medida que elas passam pelo sistema de ensino formal, essa capacidade vai sendo reduzida drasticamente — tanto que, aos 25 anos, apenas 3% dos estudados permanecem gênios criativos.

Isso significa que, ao passo que vão sendo privadas do desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e criativas ao longo de suas vidas, vão se tornando “iguais”, conformando-se aos moldes e modelos preestabelecidos. Até quando? 

O Relatório do Capital Humano do Fórum Econômico Mundial afirma que “muitos dos sistemas educacionais atuais já estão desconectados das habilidades necessárias para funcionar nos mercados de trabalho atuais”. Isso enfatiza como as escolas se concentram no desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças ou nas disciplinas mais tradicionais, em vez de promover habilidades como resolução de problemas, criatividade ou colaboração.

Em um artigo para o site Inc., o consultor de inovação Greg Satell afirmou que muito do que sabemos sobre o mundo não será mais verdade em algumas décadas. Com isso, o futuro das crianças precisa ser repensado! 

Em um mundo cada vez mais complexo, interconectado e dinâmico, as crianças de hoje e adultos de amanhã mudarão de emprego várias vezes durante a vida — inclusive para posições que ainda não existem. 

O que fazer então? 

Começar. Se já sabemos que o modelo comando-controle é aquele que prevalece na constituição de nossa sociedade e que ele tem nos limitado de ir além. Seja em nossa vida pessoal, no trabalho e nos negócios, temos como adultos a responsabilidade “quebrar” os silos onde nossas crianças estão sendo encaixadas, promovendo a oportunidade de que desenvolvam sua capacidade de aprendizado e de adaptação constante. 

Fernando Reimers, professor da faculdade de educação de Harvard, nos Estados Unidos diz que “é fundamental oferecer aos jovens o necessário para viver no mundo de hoje e para construir o seguinte”. Nesse sentido, o Fórum Econômico Mundial, definiu 5 principais habilidades que podem ser estimuladas nas crianças, a fim de que se tornem bons profissionais no futuro: 

  • resolução de problemas;
  • pensamento crítico;
  • criatividade;
  • comunicação e colaboração; 
  • gestão das emoções.

Parece complexo, mas promover um ambiente onde a criança possa desenvolver essas habilidades pode ser mais simples do que você imagina. Uma das dicas do WEF é envolvê-las em experiências positivas e divertidas, ou seja, estimular as mais diferentes formas de brincar. 

É isso mesmo! Brincadeiras, jogos, desafios, atividades, vivências e experiências que proporcionem a oportunidade de desenvolver habilidades sociais, emocionais, físicas e criativas, além das cognitivas. 

Qual é o nosso papel nessa história? 

O fato é que não existe uma receita de bolo, mas a simples capacidade natural das crianças de aprenderem brincando por si só já é uma grande aliada. 

Conhecer seu universo, se permitir brincar e aprender com elas também são elementos essenciais. Além disso, temos a importante missão de facilitar e não “boicotar” esse processo de diversão, desenvolvimento e conhecimento. 

Para isso, devemos nos lembrar de evitar ações direcionadas a “escolarização”, desafiando a lógica do certo e errado e percebendo o valor em continuar criando momentos de brincadeira alegres e significativos.

Acreditamos que, assim, formaremos não apenas líderes melhores para o futuro das organizações, mas pessoas melhores para o futuro da sociedade. Se você concorda comigo, aproveite para compartilhar o artigo para que mais profissionais entendam quão importante é ter a criatividade de uma criança!

Por Thais Bueno

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Um comentário em “Sobre crianças, liderança e futuro

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