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Trabalho Remoto: privilégio de poucos ou necessidade de muitos? 

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Segunda feira, 6 horas da manhã e seu despertador toca: hora de começar mais um dia. Você mora longe do trabalho, mas faça chuva ou faça sol, tem a tarefa de se deslocar até o escritório para cumprir sua jornada.

No caminho, transportes superlotados e trânsito caótico são realidades frequentes. Porém, o dia segue e, como sempre, você dá o seu melhor até chegar a hora de voltar para casa e repetir a jornada vivida na ida.

Soou familiar? Natural, afinal, essa é a realidade da ainda vasta maioria da população que vive nos grandes centros. No entanto, aos poucos, ela está mudando. Nesse contexto, surge o trabalho remoto como opção para os profissionais. Saiba mais sobre esse assunto neste artigo!

Por que o trabalho remoto é importante?

A democratização da tecnologia e a facilidade de acesso às informações aumentou muito o número de opções e derrubou a necessidade de estarmos fisicamente em um local para a realização de tarefas como pagar contas, comprar coisas, conhecer pessoas e até mesmo trabalhar!

A internet quebrou as barreiras da distância, oferecendo a possibilidade de nos conectarmos com pessoas do mundo todo. Atentas a esse contexto, cada vez mais empresas têm surfado nessa onda e investido no trabalho remoto, sejam elas grandes e globais, sejam pequenas e locais.

Os benefícios já são sentidos em diversos setores de uma organização e, até mesmo, na convivência em sociedade. Alguns exemplos notados são:

  • maior qualidade de vida de colaboradores;
  • redução de custos operacionais;
  • otimização do tempo, que antes era gasto em deslocamento;
  • redução do número de pessoas se deslocando pelas ruas;
  • diminuição da poluição.

Quais são os desafios do trabalho remoto?

A virtualização das atividades também traz desafios inéditos, especialmente para profissionais que atuam em cargos de liderança. Na medida em que o trabalho remoto ganha mais adeptos, seja pelo aumento da prática do home office, seja pela contratação de pessoas em diferentes localidades, novas expertises e formas de atuar se fazem necessárias.

Inovar, contribuir e engajar pessoas tão diferentes e distantes pode ser particularmente desafiador. Além desses pontos, outros desafios e dúvidas podem emergir. Confira quais são eles e como tratá-los.

“Os colaboradores trabalham menos”

Um dos maiores medos dos líderes! Contudo, uma possibilidade pouco discutida e recentemente observada diz o oposto: é frequente que os colaboradores mais envolvidos ultrapassem com facilidade as horas de trabalho e que surja até uma espécie de competição por quem está mais disponível.

O desejo de ser ainda mais produtivo pode levar as pessoas a trabalharem ainda mais, o que contribui muito para o aumento do estresse e surgimento de doenças como síndrome de burnout, por exemplo.

Nesse sentido, uma possível saída: o líder deve estar atento aos colaboradores que parecem estar sempre online e negligenciando a vida pessoal. Combinados claros referentes a horas de trabalho, escopo, prazos e expectativas referentes à qualidade precisam ser previamente acordados.

“A régua da qualidade do trabalho cai”

Quando você não passa o dia com alguém, o que resta para avaliá-lo é a entrega e qualidade do trabalho. Sem o líder por perto, colaborador realiza as funções do seu jeito, com seu método, nos momentos em que rende mais, utilizando sua maior autonomia. Isso também tende a aumentar a qualidade do que desempenha.

Ao focar na qualidade do trabalho, ficará mais evidente quais são os colaboradores que estão entregando na qualidade desejada (ou até mais do que o desejado). Também será possível auxiliar aqueles que não conseguem produzir da mesma forma.

Isso exigirá do líder um acompanhamento maior das entregas e um foco mais agudo no desenvolvimento e reconhecimento das pessoas de sua equipe — com feedbacks constantes sobre os trabalhos realizados e criação de planos de desenvolvimento para a equipe com desempenhos abaixo do esperado.

“Poucas interações entre a equipe”

O medo de não estar se comunicando o suficiente, seja sobre o trabalho em si e as metas da área, seja para reforçar os laços sociais entre a equipe, ronda os líderes com times remotos constantemente. Isso pode gerar uma inundação de mensagens nas mais variadas plataformas: WhatsApp, Slack, Skype, e-mail, entre outras.

Como honrar a diversidade e construir uma equipe virtual com diferentes perfis, num sentido mais amplo? Os relacionamentos e a conexão são essenciais para as pessoas e sua falta pode gerar consequências graves para o dia a dia do trabalho.

As mensagens a distância, em geral, não suprem a necessidade humana por conexão, por mais abundantes que sejam — pelo contrário, se forem muitas e constantes, podem levar à ansiedade.

Nesse caso, reuniões regulares, a distância ou presenciais, são importantes. As trocas entre as pessoas também, até mesmo para aumentar a aprendizagem e o desenvolvimento de todos.

Combine as formas de comunicação virtual e presencial para cada contexto. Se possível, reserve uma parcela de seu orçamento para trazer toda a equipe para um encontro presencial.

“O tempo malcuidado”

Um benefício claro para justificar o trabalho remoto, em especial o home office, é que haverá maior aproveitamento do tempo — seja poupando o deslocamento físico até um escritório, seja com menos conversas de corredor ou reuniões.

Isso pode ser ilusório: se a comunicação for exagerada, demandando muitas interrupções por parte dos colaboradores, pode haver um decréscimo na produtividade. Não é porque as reuniões são virtuais que não podem ser longas.

Quem se acostuma com as videoconferências, percebe que elas se tornam muito próximas às presenciais — até no que não têm de bom, como a falta de objetividade, pautas ocultas e a frequência muito alta.

Possíveis saídas: escolha a periodicidade das reuniões e a duração que fazem sentido. Determine um timebox (período fixo) para cada assunto e não o ultrapasse. Para aumentar a velocidade da tomada de decisão, combine com a equipe qual o grau de autonomia que cada um tem, utilizando ferramentas como o Delegation Board, por exemplo.

É inegável que o trabalho remoto é uma realidade que vem sendo mundialmente incorporada. Nos USA, por exemplo, o número de empresas que adotam essa modalidade chegou a 80%. No Brasil, essa taxa é bem mais tímida: apenas 36%.

Contudo, assim como o trabalho remoto nos traz inúmeros desafios, também apresenta consigo novas e ricas possibilidades. Nesse sentido, cabe ao líder desenvolver e reforçar um senso de propósito compartilhado com a equipe para fomentar a confiança mútua e assegurar os resultados desejados pela organização.

Como gestor, quais seus principais desafios na gestão de equipes remotas? Deixe seu comentário!

Referências

  • Remote: office not required. Jason Fried e David Heinemeier Hansson, 2013. Currency.
  • Management 3.0: Leading Agile Developers, Developing Agile Leaders. Jurgen Apello, 2010. Addison-Wesley Professional.
  • Being the Boss, with a New Preface: The 3 Imperatives for Becoming a Great Leader. Linda A. Hill and Lowell Kent. Harvard Business Review Press, 2019.
  • SAP – Pesquisa home office (teletrabalho) 2014.

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Este post tem um comentário

  1. Bom texto!

Comentários

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