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O trabalho remoto como oportunidade e vantagem competitiva para colaboradores e empresas

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Nesse novo contexto que temos vivido, com mudanças radicais de comportamento que alteram nossa rotina para o benefício da maioria, fica claro que, embora seja sempre preferível estabelecer políticas claras de trabalho remoto e aprendizagem com antecedência, em tempos de crise, esse nível de preparação pode não ser viável.

O objetivo é trazer informação e apresentar dados específicos para você sobre esse tema tão falado nas últimas semanas.

O que é apresentado aqui está baseado nas mais recentes pesquisas e artigos, para melhorar o engajamento e a produtividade dos funcionários e líderes remotos, mesmo quando há pouco tempo para se preparar para essa nova realidade.

Trabalho Remoto – antes utopia, agora necessidade

É importante entender que, se antes esse tema era uma das novas tendências do mundo corporativo, isso já não se aplica mais, deixou de ser um tema futurista para ser uma realidade. Em um estudo recente, quase a totalidade dos entrevistados disseram que gostariam de trabalhar remotamente por, pelo menos uma parte do tempo, e pelo resto de suas carreiras.

Além disso, 95% também recomendam o trabalho remoto para outras pessoas, como seus colegas da empresa, amigos e até para familiares.

Nesse turbilhão de notícias sobre o tema, você pode ter percebido o uso de duas palavras, muitas vezes usadas de forma equivocada, e que são apresentadas como sinônimos: teletrabalho e trabalho remoto. Entretanto, existem diferenças muito específicas entre essas duas modalidades.

A principal diferença está em que o trabalho remoto é eventual, já o teletrabalho ocorre quando a atividade é exercida predominantemente fora da empresa. Assim sendo, o trabalho remoto não requer um aditivo contratual, diferentemente do teletrabalho, que deve ser previsto em contrato.Porém, se o trabalho remoto se estender, é necessária a modificação do acordo de trabalho.

Uma outra forma de medir a produtividade

Um ponto muito importante do teletrabalho é que, na impossibilidade de controle da jornada de trabalho por parte do empregador, o controle de produtividade será feito por tarefas, metas e resultados, e não por carga horária, considerando a dificuldade de controle por parte da empresa dos horários de entrada e saída.7

Já as despesas com contas de consumo e as decorrentes pelo uso de equipamentos indispensáveis para o desempenho das atividades precisam ser previstas em contrato e pagas pelo empregador, no sistema de teletrabalho. Entretanto, nessa modalidade não há pagamento de horas extras, se mantendo os direitos trabalhistas, tais como: férias, 13º salário, valores rescisórios etc.

Agora que vimos algumas características do teletrabalho, é hora de mergulhar no conceito de trabalho remoto e conhecer um pouco mais dessa modalidade. Trabalhar remotamente é um dos muitos exemplos da transformação comportamental dos negócios e funciona em distintos níveis.

Entendendo o Trabalho Remoto

Essa nova forma de entrega atende às necessidades individuais de funcionários, fornece às empresas novas maneiras resilientes e adaptáveis ​​de se envolver com seu ecossistema e agregar valor econômico ao processo, atendendo à comunidade em geral, mesmo em uma situação não planejada ou esperada.5

No mundo, quando existe uma política de trabalho remoto já estabelecida dentro das corporações, 56% das empresas globais permitem essa modalidade para seus colaboradores. Dentro desse total, 52% dos funcionários trabalham remotamente pelo menos uma vez por semana.

É interessante analisar que nesse estudo os trabalhadores latino-americanos são 67% mais propensos a trabalhar remotamente do que a média mundial, muitas vezes motivados pela possibilidade de melhorar a qualidade vida. Isso porque quando comparamos a realidade entre países, vemos que outras nações já têm uma política socioeconômica que busca a qualidade de vida, já em países como o nosso, as pessoas são as únicas responsáveis pela busca e melhora do seu bem-estar social.

No final de 2019, o IBGE lançou dados sobre o crescimento do trabalho remoto no Brasil, de acordo com a pesquisa realizada por esse instituto, 3,8 milhões de brasileiros já trabalhavam dessa forma no país. Quando comparamos esse número com o total de pessoas que são consideradas população economicamente ativa, ainda temos muito por crescer e por desenvolver indivíduos para trabalharem remotamente.1

Nesse processo de desenvolvimento e aprendizagem, para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho, temos que seguir alguns passos para que essa transição seja eficiente e, de preferência, pouco traumática para a empresa, seus colaboradores e os líderes dessas organizações.

Como criar um processo de transição eficiente para o trabalho remoto

Como primeiro passo, é necessário estar comprometido com o processo de transição, uma vez que o trabalho remoto exige que os líderes gerenciem as mudanças organizacionais com o objetivo de reimaginar o futuro de sua organização, assim como pensar na melhor forma para que os funcionários possam trabalhar e colaborar.

Esse processo requer uma mudança mental que sai de um modelo mais institucional e cria um ambiente propício para uma mentalidade multiplataforma, que envolve a identificação de quais ferramentas são importantes e úteis, e quais são contextuais. O excesso de plataformas também pode atrapalhar, por isso é importante ter claro o que, quando e como usar o que temos ao nosso alcance.

Tornando-se digital

O segundo passo é tornar-se digital, mas não perder a coerência, pois trabalhar os espaços digitais é mais do que apenas aplicar ferramentas e tecnologias. O que eu e você temos que fazer é pensar nos novos comportamentos e garantir que todos tenham a capacidade de usar qualquer ferramenta de tecnologia sem problemas.

Criando uma cultura de inclusão

Já o terceiro passo é aproveitar esse momento para criar uma cultura de inclusão ao seu redor, especialmente para a alta liderança isso geralmente requer um esforço maior, pois a dinâmica de poder não desaparece no domínio virtual. Criar um ambiente de trabalho digital, colaborativo, aberto e inclusivo exige que todos, em particular os líderes, ouçam suas equipes e colegas. Só porque as pessoas têm acesso a uma plataforma de conferência, isso não significa que todos estão sendo ouvidos igualmente.5

Qualificação é indispensável

Portanto, é essencial que, para tornar-se digital, exista todo um processo de qualificação dos funcionários e da liderança, para que possam tirar o melhor de cada pessoa e cada ferramenta que temos disponível. Utilizar a plataforma correta estimula uma comunicação mais coerente e certamente muito mais eficiente e estruturada.9

O trabalho remoto permite priorizar as tarefas a serem entregues e não os aspectos físicos ou o modo como as pessoas trabalham. Para questões relacionadas à acessibilidade, essa pode ser uma oportunidade para que profissionais que teriam dificuldades de ingressar no mercado de trabalho desenvolvam suas carreiras.

Envolvimento absoluto

O penúltimo passo é se envolver, sem perder a autenticidade, porque é no nível individual que as mudanças mais importantes ocorrem, reduzir o isolamento no trabalho remoto requer o comprometimento dos indivíduos em todos os níveis da organização. Isso exige que um novo nível de líderes individuais surja como uma voz autêntica, que abordem assertivamente as incertezas, sejam abertos e mostrem suas vulnerabilidades.

Desenvolvimento do senso de liderança

E, por fim, que todos possam aprender a moldar o futuro das relações profissionais, porque à medida que as empresas desenvolvem sua abordagem estratégica sobre o trabalho remoto, é importante considerar como aprendemos ao longo do caminho, criando e explorando, sempre que possível, soluções de aprendizagem para fornecer experiências colaborativas virtuais que fazem a diferença na vida das pessoas.

Agora que vimos como a transição para o trabalho remoto pode ser executada de forma humana, é importante que você saiba como liderar remotamente. Independentemente de ser ou não um gestor, você pode ter um papel de liderança no pequeno grupo no qual você está inserido dentro da organização.

Pequenas medidas fazem a diferença no Trabalho Remoto

Para que você possa ter uma visão geral do que está acontecendo, estabeleça conversar diárias estruturadas, pode ser uma série de chamadas individuais, para funcionários mais independentes; ou chamadas em equipe, quando forem altamente colaborativos.6 A confiança precisa ser a base da relação entre a equipe, é preciso criar processos para ver o progresso do trabalho, e não para fiscalizar as pessoas, porque a sensação de estar sendo vigiado cria um ambiente de insegurança e nada colaborativo.9

Não se esqueça que somos pessoas que precisam de pessoas. Por isso, ofereça oportunidades para interação social remota, por exemplo, tenha conversas informais sobre tópicos não relacionados ao trabalho. Mas, lembre-se de respeitar as necessidades das pessoas, alguns precisam de mais interação e atenção que outros.

O cuidado emocional é indispensável

Esse respeito às diferenças é uma das muitas formas de cuidado emocional com a sua equipe.

Além disso, você também pode oferecer incentivos e apoio emocional, especialmente no contexto de uma mudança abrupta para o trabalho remoto. É importante que os líderes reconheçam o estresse, ouçam as ansiedades e preocupações dos funcionários, e tenham empatia por suas lutas diárias.

Tanto você quanto eu sabemos que o trabalho remoto não é a solução para essa crise que vivemos, mas, pode despertar a noção que conectados em rede temos capacidade para realizar nossas obrigações de forma profissional sem sair de casa.

Claro que não adianta apenas mandar as pessoas para casa e instalar aplicativos de troca de mensagens e chamadas por vídeo, porque se adotar o trabalho remoto em condições normais já é desafiador, fazer isso do dia para noite pode se tornar estressante. Porém, se entendemos esse momento que estamos vivendo como uma oportunidade, talvez o trabalho remoto se torne a regra e não a exceção.

Aprenda a preparar sua empresa para o Trabalho Remoto. Comece a transição e receba toda a assessoria necessária através de especialistas no desenvolvimento empresarial.

Por Marcello Miranda Machado Filho

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